Chat da Rádio Municipalista Brasil

sábado, 3 de janeiro de 2015

Aquele sete de setembro..

Naquele sete de setembro,uma tristeza imensa tomou conta do coração e da alma daquele garoto,vamos chamá-lo apenas assim "o garoto" Na semana que antecedeu as festividades daquele sete de setembro,foi feita toda a preparação,ensaios,confecção dos bastonetes com os quais se daria o ritmo. O garoto,todo entusiasmado,participando ativamente,ele era um deste alunos cujos pais não podiam comprara materiais,roupas,brinquedos,mas ele se contentava com pouco,aquela preparação das festividades estavam sendo extasiantes. Os ensaios foram realizados,de forma que nada deveria dar errado para a escola,para as festividades porque para ele nada garantia isso. Ele era um dos garotos mais pobre da classe,recebia de uma tal caixa escolar seus materiais bem minguados,ele via as pastas de seus colegas cheias de materiais bonitos,cadernos,lápis,canetas,mas ele não podia ter. No dia sete de setembro,ele chegou na hora combinada para que todos chegassem, esperaram chegar o momento de se formarem em fila para iniciar então o tal desfile. Qual não foi a surpresa do garoto por estar sem a camisa do uniforme,foi impedido de desfilar,ele não entendia porque não poderia,era apenas uma camisa. Passou o desfile inteiro á sua frente enquanto suas lágrimas desciam,foram algumas horas,uma,duas,ele não sabe dizer,mas parecia eternidade,vendo aquele desfile sem poder estar participando. Ele nem sequer se lembra se assistiu até o fim,ele via cara toda feliz dos colegas desfilando e sentia vontade de estar também ali. Passou o tempo dias meses,o garoto saiu da escola ainda na quarta série,pois já havia perdido tempo demais para chegar até ali. O garoto que nunca havia sido reprovado no entanto estava com quatorze anos e na quarta serie concluída claro,havia sido promovido á quinta,poderia fazer o ginasial,mas já era meio velho. Este atraso escolar se deu pelo fato de que morava na área rural até aos onze anos e sempre antes dos exames finais seu pai mudava de lugar,fazenda,escola e não se conseguia concluir o ano escolar. Por seu trauma do sete de setembro,por se sentir envergonhado naquela idade no meio dos pequenos e talvez o sonho do primeiro emprego,lá se vai o garoto,sai da escola e procura trabalho. O tempo passou novamente,agora os anos,décadas,o garoto,voltou a estudar,mas nunca mais esqueceu daquele sete de setembro. Celio Rheis

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