Chat do Cantinho do Poeta

domingo, 7 de junho de 2026

Ei apontador

 Inicio de década de 1980 acho que 1981 um conhecido me arrumou um emprego em uma empresa onde ele trabalhava, ele era motorista e eu entrei como apontador de obras, mas fazia meio que geral apontamento de campo e de cartões de ponto.

e como a obra estava em tempos finais era feito muitos turnos noturnos e horas tarefas e eu procurava acertar tudo da melhor forma, era considerado pelos superiores e pelos chamados peões (pedreiros, ajudantes, carpinteiros ,ferreiros etc...Foram três ou pouco mais meses naquela obra e acabando fui transferido para outra já em andamento.

Fiquei seis ou sete meses trabalhando nesta empresa onde não sei por qual motivo fui demitido e fiquei vários outros anos desempregado naquele período o desemprego se fazia presente primeira metade da década de oitenta. Minha vida foi marcada por pedaços como estes posso contar outras histórias como estas acontecidas em espaços assim.

Mas vamos ao episódio acontecido neste caso já era 1985 e uma prima ia casar na cidade de Mogi Guaçú ( o caso das obras de 1981 foi em Santo André e Cubatão) portanto além do tempo temos uma distancia que separa tais fatos.Minha avó morava vizinha a esta prima em cujo casamento fui eu e um amigo meu, mas como eu estava desempregado perguntei a minha avó se poderia ficar na casa dela e trabalhar como boia fria ( cortando cana de açúcar). Ela disse sim e deixei meu amigo voltar sozinho para capital, ficando lá.

Então fui na próxima segunda já inserido naquela turma de corte era algo totalmente estranho para mim, nada fácil o trabalho o turmeiro (especie de empreiteiro de turma) colocou eu e um tio trabalhando juntos, a intenção era de que eu aprendesse com ele.Eu nesse tempo vivia com uma falta de perspectiva, falta de sonho e falta de acreditar que eu podia, eu merecia assim como todos(as) muitos atos idiotas viriam ainda ser cometidos por mim.

Mas voltando ao fato neste trabalho havia a figura do apontador era um funcionário da usina que vinha medir no final do expediente nossa produção ele tinha um esquadro feito de madeira que media dois metros e era girado para medir.Nós iniciávamos cedo 06h00 da manhã ou 07h00 por mais tarde que poderia ser nosso taião eram 5 ruas de canas que deveríamos cortar x ou y.. metros, quanto mais melhor, eu cortava pouco além da falta de experiência não havia muita coragem.

Tinham uns colegas que cortavam muitos metros por dia uma prima que cortava em outra fazenda dizia cortar acima de cem metros eu sei que meu facão durava a safra inteira enquanto que ela trocava todas semanas.Foi em um dia destes que algo estranho me aconteceu eu cortava canas ali concentrado com meu desânimo todo quando ouvi: apontador, ei apontador era cedo ainda para chamar o apontador para medir deveria ser umas 15h00 horas.

A voz que não me parecia estranha continuava a chamar, apontador ,ei apontador da A&T espera este tinha sido eu ha quatro anos atrás você não lembra mais de mim? Quando eu o vi lembrei na hora,(só não lembrei o nome), mas era um pedreiro que trabalhou na obra de Santo André e eu havia marcado suas hora extras a contento, foi um abraço tão sincero e um reencontro tão bom para quem estava tão desanimado, foi uma injeção de vida. Aprendi ali uma das primeira lições o que se planta se colhe,se eu tivesse feito alguma espécie de mal ele poderia ter cortado meu pescoço sem eu sequer saber porque.

Isso é história real


Celio Rheis

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